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13/05/2017

Um pequeno devaneio, ou pelo menos era pra ser pequeno

Acho que já repeti umas mil vezes que lá pros primórdios do blog, em 2014, a minha vida e meu estado emocional não estavam lá muito bons, e bem, quando estamos na merda é normal queremos arranjar um culpado que pode ser qualquer um menos nós mesmos.

A pessoa que culpei foi um garoto. Não sei dizer se éramos amigos, mas a gente conversava um pouco, e só aquilo já era muito pra mim, a gente poderia até ter conversado mais na época, mas tinha eu um problema: eu estava no auge da minha timidez. Naquela época, se eu estivesse falando com alguém, só se esta que tivesse vindo falar comigo. E por consequência disso eu não tinha nenhum amigo.

Continuando sobre o garoto, comecei a gostar dele. Foi uma paixão daquelas mais fortes, talvez a única do tipo que já tive. Eu já não estava lá muito bem na época, já que eu fui obrigada a mudar de uma escola que eu gostava, em que fiquei só um ano, e tinha tido problemas com bullying na anterior a esta. E com minha paixão, qualquer pequena minúscula coisinha que ele fizesse que parecia mim ele não me notar ou ele ter um sentimento ruim contra mim, eu simplesmente... chorava. Coisas extramente bobas das quais tenho vergonha de citar.

Um dia eu coloquei um bilhete na mochila dele me confessando. Ele me respondeu (e chovia na hora e ele estava dividindo o guarda chuva comigo, que clichê.), mas ao invés de ser direto com um "sim" ou um "não", ele veio com um papo de "Ah, não sei", "A gente é mó amigo", "Você um pessoal tão legal", etc. (apesar dele parecer nem notar minha existência às vezes.) Isso ainda me dá uma certa raiva quando as pessoas enrolam e não vão direto ao ponto. Essa situação e o fato de como ele me respondeu, só piorou meu estado. Eu ficava em uns mistos de iludida e de decepção.

Mas chega uma hora que a gente tem que levar vários tapas da vida e acordar pro mundo, foi o que fiz. Passei a ignorá-lo o máximo que eu podia, junto com isso passei a ter raiva dele, e assim, culpando-o por toda a merda em que fiquei. No final daquele ano, acabei reprovando na escola. Meio contraditório, mas foi uma das melhores coisas que me aconteceu, pois foi na minha nova turma que conheci a minha melhor amiga, além de tantas coisas boas que passei que não gosto nem gosto de imaginar como minha vida estaria agora se eu não tivesse repetido.
Ás vezes ainda vejo esse garoto na escola, mas nunca mais trocamos uma palavra cara-a-cara e muito pouco online, apenas por causa de uma situação em que entraram no meu facebook, postaram umas merdas e o maluco foi lá curtir tudo, sendo que ele não poderia fazer isso já que eu havia o bloqueado... Hoje ele também me tem bloqueada do facebook dele.

A conclusão? O culpado não foi ele, não totalmente, ao menos 1% foi culpa dele, mas a maior culpada fui eu. Minha insegurança me fez agir como uma total idiota, tentando achar que tudo melhoraria se eu ficasse com ele. Ele não foi direto ao me responder, mas entendo o lado dele, não foi a melhor opção mas as pessoas erram mesmo sem querer. Ele tem até razão de ficar com raiva de mim, mas não era a melhor a ser feito. Não sinto intenções de voltar a falar com ele, também que hoje ele não é o tipo de pessoa que me dá vontade de me relacionar, mas pelo menos fazer me desculpar... Mas isso não importa, daqui a poucos anos não verei mais a cara dele.
Mas tirei boas coisas de tudo isso, foi o que precisava para que eu começasse realmente a combater minha timidez. Ainda sou tímida? Sou. Mas hoje eu consigo fazer coisas simples que minha timidez antes não me deixava, e bem, ainda tento ao poucos melhorar mais.

Eu senti que precisava falar isso aqui porque, eu já havia falado várias vezes sobre ele na época e não queria ainda que eu parecesse "a coitadinha" da história para quem ainda lembrasse disso. Tenho tentado apagar partes e postagens em que falei sobre ele para que essa seja a única fonte sobre toda situação aqui no blog. Espero que agora sim seja a última vez em que falarei sobre esse assunto aqui.